"Vou [morrer] de alma lavada. Estou feliz!"

"A herança que vou deixar são minhas idéias, que ninguém rouba, ninguém toma, ninguém compra."

Lucilia.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Abaixo mensagem de Geraldo Barbosa, neto de Alexandre Barbosa, com suas consideraçãoes sobre o livro, "Lucilia - Rosa Vermelha". 

 Prezados Evacira, Luciana, Luiz Alberto, e equipe envolvida na criação de Lucília Rosa Vermelha, 

 Sou parente de Lucília, mas somente a conheci pessoalmente há cerca de dois anos atrás, num memorável dia que passei ouvindo suas histórias. Lucília era sobrinha de minha avó paterna, Candida Rosa, companheira de Alexandre de Souza Barbosa. Recebi uma cópia do livro de voces, como um gentil presente da Marlene Zanqueta Alvares, casada com meu primo Celso Alvares. Na verdade, por ter vivido em diferentes locais, muito pouco contato tive com os parentes de meu pai, Alexande de Amedée Barbosa, filho de Alexandre de Souza Barbosa, e nenhum contato com a família de minha vó Candida Rosa. Somente recentemente voltei a ter contatos com alguns parentes paternos, incluindo a famíla do Celso. Todas informações que posso conseguir, neste "link" familiar faltante, são sempre recebidas ou buscadas com avidez - assim, tentei sorver sofregamente o "Lucília". A leitura do livro de voces, além de trazer muitas informações sobre Lucília e épocas de grandes lutas e instablilidades políticas, com uma miríade de nomes de pessoas que batalharam por ideais de melhoria da condição humana, me provocou uma série de memórias adormecidas e reavivou nomes conhecidos, alguns pessoalmente, outros por proximidades diversas. Uma parte da minha infancia e juventude passei em Uberlandia, dai a existencia dessa proximidade diversa, onde muitos nomes e acontecimentos pertencem à Uberaba e Uberlandia como cidades, de fato, irmãs. Não pretendo me delongar no uso do tempo de voces, mas desejo principlamente expressar meu grande muito obrigado por esta obra de fôlego, que alinhava acontecimentos diversos e complicados, atraves dos pontos da costura tecida pela heroína Lucília. Vi que no livro se encontram também palavras elogiosas ao meu avô Alexandre Barbosa e até fotos dele e de meu pai, que me eram desconhecidas. Sei que a vida de meu avô foi uma epopéia à parte; na verdade daria um belo romance com muitos lances de mistério e também de dor, além do rico aspecto histórico na virada do século 1800/1900. Até eu, que não sou escritor, já me deparei juntando fatos e redigindo algumas linhas num esboço de registrar alguns momentos preciosos da vida do avô. Embora não tenha conhecido meu avô, ele me influenciou por maneiras indiretas e até na minha profissão. Guardo dele, com carinho, alguns poucos livros e alguns outros poucos objetos que a ele pertenceram e que me passaram às mãos talvez por esquecimento de meu pai. Um destes livros, um tratado de Física, foi a semente de minha profissão: Fui Professor Titular na UFMG, por mais de 30 anos e também por uma década, Professor na Northwestern University (Chicago). Não vou citar quantos nomes me foram evocados durante a leitura de "Lucília", mas foram muitos. Poderia até contar pequenas histórias sobre alguns. Há um certo tempo atrás, enviei um pequeno conto ao Plauto Riccioppo, vendo que ele estava juntando material para sua tese. Era uma história bem curta, sobre a Stella Saraiva (Stellina, "nome de guerra"). Está anexa, intitulada "Pinguim", escrita em 2001 para os meus filhos. Novamente, meu muito obrigado. Espero um dia ter a honra de conhece-los pessoalmente. Geraldo Alexandre Barbosa

segunda-feira, 16 de abril de 2012

RESTAURANTE POPULAR LUCILIA ROSA

Lucília dará nome ao Restaurante Popular de Uberaba, a ser inaugurado em 2012, num projeto que é parceria do governo federal com a Prefeitura. Segundo o jornalista Luiz Alberto Molinar, um dos autores do livro "Lucilia - Rosa Vermelha", a sugestão foi apresentada ao prefeito Anderson Adauto no ano passado, durante reunião com a Comissão Executiva do PT. ====================================================================================== Sucesso! Lançado em primeira mão em Uberaba e na semana passada em Belo Horizonte, outros inúmeros eventos do gênero estão agendados para "Lucília - Rosa Vermelha", belíssima obra sobre uma das primeiras vereadoras de Minas Gerais, além de politizada, forte, guerreira e à frente do seu tempo, mesmo em decisões/comportamentos de vida pessoal. GÊ Alves: Jornal da Manhã 16 de abril de 2012 http://www.jmonline.com.br/novo/?colunas%2C75%2CUMAS+&+OUTRAS

Homenageando Lucilia e divulgando o livro"Lucília – Rosa Vermelha", em Belo Horizonte

Homenageando Lucilia e divulgando o livro"Lucília – Rosa Vermelha", em Belo Horizonte. 12 de abril, às 20h, na Assembleia Legislativa, durante sessão solene de homenagem aos 90 anos do PC do B.

Luiz Molinar, homenageando Lucilia e divulgando o livro Lucília – Rosa Vermelha

Luiz Molinar, homenageando Lucilia e divulgando o livro Lucília – Rosa Vermelha em Belo Horizonte. 12 de abril, às 20h, na Assembléia Legislativa, durante sessão solene de homenagem aos 90 anos do PCdoB.

quinta-feira, 8 de março de 2012

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Vídeo lançamento "Lucilia - Rosa Vermelha"

http://youtu.be/JJTpLnJyjm4

LUCÍLIA - ROSA VERMELHA

LUCÍLIA-


ROSA VERMELHA




E por falar em cultura, cerca de 250 pessoas marcaram presença no lançamento do livro Lucília-Rosa Vermelha, neste fim de semana. Entre elas, o até então candidato a pré-candidato a prefeito pelo PT, Adelmo Leão (PT); Gilberto Neves, assessor do deputado federal Gilmar Machado (PT); o prefeito e o vice de Campo Florido, Ademir Melo (PP) e Rufino (PT), respectivamente, além dos vereadores Nego (PT) e Paulo Roberto (PMDB) e o chefe do Departamento de Cultura, José Maria.

PT E MAIS

ALGUNS

Também marcaram presença o prefeito de Sacramento, Baguá (PMDB), os secretários municipais de Uberaba: de Governo, Rodrigo Mateus (PMDB) e de Desenvolvimento Social, Maria Thereza Cunha (PT); e mais os petistas: vereador José Severino e o coordenador do Procon, Sebastião Severino; a diretora da Fundação Cultural, Tânia Mara Garcia, e a coordenadora do Conphau - Conselho de Patrimônio Histórico, Juliana Melo.

E AINDA...

Também prestigiaram o evento, representantes das seguintes entidades/instituições: sindicatos dos bancários, dos carteiros, dos educadores municipais, dos auxiliares em escolas particulares, dos previdenciários; do Assentamento Nova Santa Inácio Ranchinho (Campo Florido); do Centro Acadêmico do curso de história da UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro); da Associação Brasileira de Odontologia; do PPS/Uberaba; do PT de Uberaba, de Sacramento e de Campo Florido; do PSB/Uberaba; do Uberaba Tênis Clube; do TEU –Teatro Experimental de Uberaba; da Academia de Letras do Triângulo Mineiro...

PRESENTE!

E claro! Estavam lá, representantes do PCdoB - Partido Comunista do Brasil. Afinal de contas, a heroína do livro – Lucília Rosa, foi a comunista mais famosa de Uberaba e região. Obra assinada pelo jornalista Luiz Alberto Molinar e a historiadora Luciana Maluf, e idealizada pela jornalista Evacira Coraspe, é resultado de três anos de muito trabalho – recolhendo e acolhendo documentos, informações e fotos.
 

Giselda Campos - Jornalista: CONTA-GOTAS ... Notícias

giseldacampos-jornalista.blogspot.com

Adelmo Carneiro Leão: Foto tirada ao lado dos filhos de Lucília Rosa, Moisés (esquerda) e Calixto (dir...eita) no lançamento do livro "Lucília Rosa Vermelha" em Uberaba.

Lançamento do livro "LUCILIA - ROSA VERMELHA" 13/01/2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

“Lucilia – Rosa Vermelha” será lançado no dia 13, 6ª, no câmpus-Centro da Uniube

Os jornalistas Luiz Molinar e Evacira Coraspe e a historiadora Luciana Maluf com Lucilia
Os jornalistas Luiz Molinar e Evacira Coraspe e a historiadora Luciana Maluf com Lucilia
 
“Lucilia – Rosa Vermelha” é o título da biografia da pioneira do feminismo em Uberaba e de uma das 17 primeiras vereadoras de Minas Gerais, eleita aos 35 anos, em 1947, em Campo Florido, no Triângulo Mineiro. Ela pertencia ao PSD (Partido Social Democrático), embora fosse ligada ao então clandestino PCB (Partido Comunista do Brasil) desde os 18 anos. Lucilia Soares Rosa nasceu em Uberaba (MG), em 1912, filha do alfaiate Calisto Rosa e sobrinha do professor e agrimensor Alexandre Barbosa, católicos até a adolescência, ambos tornaram-se anticlericais e anarquistas. Eles exerceram importante influência sobre ela. Seu avô materno, José Severino Soares, o "Juca" Severino, foi respeitável fotógrafo no Brasil Central, entre 1860 a 1917.

Lucilia não foi batizada na igreja. Nunca pintou as unhas e nem se maquiou. Namorou muitos. Dois primos a pediram em casamento. Foi costureira de vestido de noiva. Casou por contrato com homem casado. Foi professora, faxineira e cozinheira de 'mão cheia'. Ateia desde criancinha e espiritualista aos 90 anos: "Há algo mais. Eu não acredito em Deus, mas alguns amigos acreditam e eu acredito neles", dizia.

“O Capital” - principal livro de críticas ao capitalismo - foi sua cartilha durante décadas, mas nos último anos de vida gostava que lessem a “Bíblia” para ela. “Dedicou sua vida à causa revolucionária. Lutou por uma sociedade justa para todos. Lucilia significava solidariedade, sinceridade. Disciplinadora, porém doce, amável e, às vezes, até angelical. Gostava muito de conversar. De contar causos seus e dos outros, todos sem censura”, relata o jornalista Luiz Alberto Molinar, coautor do livro.
Lucilia, ladeada pelas irmãs, aos 19 anos, quando era costureira
Lucilia, ladeada pelas irmãs, aos 19 anos, quando era costureira
 
Morou com Ivete Vargas, Prestes e Anita
Ousou e enfrentou preconceitos ao ligar as trompas em 1939, depois de ter dois filhos. Essa operação somente realizava-se na Europa. Fora presa duas vezes. Em 1949, ao cuspir no rosto do delegado de polícia, em Campo Florido. Ficou detida por 13 dias por participar de manifestação contra o envio de jovens brasileiros para a Guerra da Coreia. Foi em 1951, em Uberlândia. Morou em São Paulo durante 15 anos, de 1958 a 1972, quando trabalhou como doméstica, entre outras patroas, para a deputada federal Ivete Vargas (PTB), sobrinha do presidente Getúlio Vargas, que conseguiu-lhe emprego na Caixa Econômica e nos Correios. Rejeitou e manteve-se na profissão que possibilitou-lhe as formaturas em odontologia dos dois filhos.

Lucilia tinha memória extraordinária e manteve um acervo rico de documentos, entre eles, correspondências que manteve com Luiz Carlos Prestes, secretário-geral do PCB entre os anos de 1930 e 1980, e com Anita Leocádia, filha dele com Olga Benário, morta em campo de concentração nazista, na Alemanha. Lucilia manteve contato permanente com ela por mais de 30 anos. Moraram juntas durante dois anos e meio, entre 70 e 72, clandestinamente, durante os anos mais sangrentos da ditadura civil-militar, em São Paulo (SP). Passava-se por tia de "Alice Nascimento", codinome de Anita. Residiu também, durante três meses, em 1962, na capital paulista, com a família de Prestes, a quem ajudava a cuidar de seis dos sete filhos.

Candido Portinari e Jorge Amado
Outras celebridades da política e da cultura nacional que mantiveram relação com pessoas ligadas a Lucilia são enfocadas. Entre elas, o pintor Candido Portinari, amigo do português e corretor de seguros Antonio Manoel Mendes André, diretor, no final dos anos de 1940, do jornal paulistano “Hoje”, ligado ao PCB, e que tinha como redator-chefe o escritor Jorge Amado. Mendes, e seu melhor amigo, o pai de Lucilia, visitavam frequentemente Portinari, em Brodowski (SP). 

Abel Reis, Afrânio Azevedo, Caparelli e Zote

Nomes importantes em Uberaba e região que mantiveram relações diretas com o PCB, entre os quais o engenheiro da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e professor da Faculdade de Engenharia do Triângulo Mineiro, Abel Reis, são apresentados no livro. A vida do fazendeiro Afrânio Azevedo, premiado criador e exportador de gado zebu para o Peru e doador ao deputado federal Mário Palmério (PTB) das áreas onde se localizam os câmpus da Uniube (Universidade de Uberaba), também é abordada. Em troca dos imóveis, foram concedidas bolsas de estudos a alunos carentes, alguns deles filhos de comunistas. Um dos beneficiados foi o ex-prefeito Wagner do Nascimento (PMDB), filho do sapateiro e pecebista Olívio Nascimento.

Azevedo elegeu-se deputado estadual pelo PCB em 1946, em Goiás, onde foi o principal produtor de arroz nos anos de 1950, e proprietário de oito fazendas. Manteve amizade com Prestes – que era recebido com frequência em Uberlândia, onde também residia o fazendeiro - entre os anos de 1940 e de 1960. Desde o final da década de 1930, insistia com o médium espírita Chico Xavier – a quem visitava em Pedro Leopoldo (MG) e levava a Uberaba para dar assistência espiritual aos filhos acidentados - a mudar-se para o Triângulo Mineiro.

O advogado trabalhista e vereador Benito Caparelli, cassado após o Golpe Civil-Militar de 1964 e preso durante 105 dias, é outro importante membro do PCB que tem sua vida abordada no livro. O conhecido comerciante José Formiga do Nascimento, o “Zote”, fundador entre outras empresas da Nacional Expresso, contribuía, financeiramente, com o Partido Comunista, também é citado na obra.

Jogadores do Uberaba, Barão, Nenê Mamá e Barbosa
Lucilia desde a adolescência, em meados de 1920, manifestava sua personalidade feminista ao frequentar o estádio do USC (Uberaba Sport Club), a um quarteirão de sua casa. Era levada por seu pai, acompanhada das irmãs e irmão. Naquela época, mulher não ia a jogos de futebol. Ela sabia as posições dos jogadores em inglês - como era usual - e os nomes dos atletas da época: Gradinho, “um negro de Conceição das Alagoas (MG)”, o “beck”, isto é, zagueiro, o uruguaio Blado, e o “preto alto” Badu. A ligação dela com o USC se deu ainda ao hospedar atletas do colorado em sua pensão ou fornecendo refeição a alguns deles, nos anos de 1950.

Lourival Balduíno do Carmo, o “Barão”, autor da letra do hino do USC, também era atuante comunista, amigo do pai de Lucilia e supervisor de ensino em Campo Florido, quando ela residiu naquele município, entre 1930 e 1950. O paulista Waldomiro de Campos, o “Nenê Mamá”, fundador da Liga Uberabense de Futebol em 1943, e gerente do USC entre os anos 50 e 70, também era pecebista. Técnico do Uberaba em duas oportunidades, Barbar Caui, o “Barbosa”, que inovou nos treinamentos ao aplicar a técnica húngara, militou intensamente no PCB. Passagens das vidas deles constam do livro.

Quebra-quebra de 52 e a “explosão do bar do Antero" em 69
A instituição da cobrança de impostos sobre produtos hortifrutigranjeiros, pelo governador Juscelino Kubitschek em 1952, causou uma revolta popular em Uberaba. Repartições públicas foram destruídas por cerca de 100 manifestantes, que atiraram móveis e documentos no córrego – a céu aberto – na av. Leopoldino de Oliveira e chegou a represar a água. A participação de comunistas, documentos da polícia e publicações em jornais também são mostrados no livro.

Oito vítimas fatais, quatro feridas e sete prédios destruídos foi o saldo do fato conhecido como a “explosão do bar do Antero”, famoso por seu sanduíche de pão com bife, frequentado por estudantes universitários e por integrantes do PCB. Suspeitava-se que o motivo do acidente tivesse sido o estouro de botijão de gás. Entretanto, perícia policial apontou como causa a pólvora armazenada em loja vizinha de fogos de artifício. A presença permanente no local e na vizinhança de comunistas provocou uma série de versões sobre o motivo da ação. A obra revela relatórios da Polícia Civil e detalha informações a respeito.    

Morte aos 98 anos
Lucilia morreu aos 98 anos, em 3 de março de 2011, e o prefeito Anderson Adauto (PMDB) decretou luto oficial de três dias. Ela deixou dois filhos dentistas. Calixto Rosa Neto foi eleito vereador pelo PSD em Campo Florido, em 1963, e cassado e preso pelo Golpe Civil-Militar de 1964. Elegeu-se vereador em Uberaba, com mandato de 1983 a 1988, pelo PMDB. Moizés Soares Rosa foi diretor da cooperativa Uniodonto. Lucilia contava com 13 netos, oito bisnetos e uma trineta.

Dilma reverencia Lucilia
A presidenta Dilma Rousseff (PT) reverenciou a trajetória de Lucilia no dia 17 de março do ano passado, em discurso oficial após assinar protocolo de intenções da Petrobras para a implantação da Unidade de Fertilizantes e de um gasoduto em Uberaba, no valor de cerca de R$ 3 bilhões de reais. Eis as palavras de Dilma:

- Neste mês em homenagem à luta internacional das mulheres, queria homenagear uma mulher muito corajosa aqui de Uberaba. Dona Lucila Soares Rosa, que faleceu aos 98 anos. Foi uma das primeiras vereadoras de Minas Gerais. Não foi vereadora numa época em que era fácil. Foi vereadora numa época em que a discriminação era mais forte. Participou de movimento sem se deixar intimidar ou esmorecer. Portanto, a minha homenagem à dona Lucila.
Outra homenagem a Lucilia será a denominação do restaurante popular, a ser inaugurado num casarão da pç. Rui Barbosa, acima do Elvira Shopping. O projeto é uma pareceria do governo federal com a prefeitura. A sugestão foi apresentada ao prefeito em reunião com a Comissão Executiva do PT, em julho passado.

O livro
O projeto de pesquisa sobre Lucilia surgiu durante visita do então presidente da Câmara de vereadores de Uberaba, Lourival dos Santos (PC do B), a ela. Estava, em 2006, com a saúde debilitada após 25 dias em coma. Ao ser indagada sobre seu sonho, disse que gostaria de ter sua trajetória publicada em livro. A partir daí, a então diretora de Comunicação do Legislativo, Evacira de Coraspe, idealizou o trabalho desenvolvido pela historiadora Luciana Maluf Vilela e pelo jornalista Molinar. A obra seria publicada no final de 2010, porém a crise financeira pela qual passava a Câmara inviabilizou sua publicação.

O livro previsto para ser produzido em quatro meses, se estendeu a três anos em consequência da riqueza de fatos e de dados contados pela protagonista e o acesso dos autores a documentos, entre outros, produzidos, principalmente, por órgãos de segurança e obtidos nos arquivos públicos de Uberaba, Uberlândia (MG), Mineiro, de São Paulo, Nacional, no Rio de Janeiro (RJ) e em Brasília (DF). E as 100 páginas planejadas foram ampliadas a 417. Elas revelam, além da personalidade e os caminhos de Lucilia, a trajetória de anarquistas, de espíritas, de maçons e de comunistas, grupos combatidos, sistematicamente, pelo clero da igreja católica. Enfim, o livro aborda a origem dos movimentos populares e de seus agentes em Uberaba e região, desde o final do século 19 até a década de 1970.
“Lucilia – Rosa Vermelha” é uma publicação, com 250 imagens, da Editora Bertolucci, de Sacramento (MG), com tiragem de duas mil cópias. São 46 capítulos em cerca de 200 páginas, abordando a vida da biografada e fatos ligados a ela. Uma cronologia a partir de 1838, com o nascimento de seu avô materno, Juca Severino, registra passagens envolvendo familiares, amigos, companheiros de lutas e acontecimentos locais, regionais, nacionais e internacionais relacionados à vida de Lucilia. São dedicadas, aproximadamente, 100 páginas a esse capitulo, e outras 100 listam – em forma de verbetes - mais de 500 nomes de comunistas e de simpatizantes residentes em Uberaba, além de outros cerca de 300 moradores em 21 municípios da região.

Foram mais de três anos de pesquisas, redação e editoração do livro, que contou com 64 entrevistas realizadas pelos autores e nove feitas por servidores do Arquivo Público de Uberaba. E, ainda, consultados 83 livros, 24 revistas, 150 jornais, 13 dissertações universitárias, seis processos judiciais e assistidos seis documentários.

Uma das orelhas do livro é assinada pelo proprietário da Editora Bertolucci e membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, Carlos Alberto Cerchi. Avalia ele que a obra “traz uma extraordinária contribuição à pesquisa histórica, lançando luzes para desfazer o mito existente sobre o conservadorismo interiorano”. Na outra orelha, o professor de economia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e autor de 10 livros sobre política, Juarez Guimarães, destaca três razões para se ler a publicação. Entre as quais diz que “possivelmente tocados pela grandeza e generosidade da vida que narravam, os autores construíram uma verdadeira história social da esquerda do Triângulo Mineiro. Isto é, a própria memória das ‘pessoas humildes sem história’ – com suas cores, seus retratos, suas aventuras e fracassos, utopias e esperanças”. 

Lançamento
A  noite de autógrafos será no próximo dia 13, sexta-feira, das 19h às 22h, no Centro Cultural Cecília Palmério, no câmpus-Centro da Uniube, na av. Guilherme Ferreira. A banda Lira do Borá, de Sacramento, interpretará músicas do cantor Jamelão, o preferido de Lucilia, e o hino do USC. O violoncelista Carlos Pérez e o ator Milo Sabino apresentarão o hino “A Internacional”, de movimentos socialistas, que a homenageada cantava com emoção. O documentário “Lucilia: 90 Anos de Memória”, produzido por então estudantes de jornalismo em 2002, entre eles a jornalista Tereza Ávila, será exibido durante o evento.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

PREPARANDO O LIVRO EM 2008.




A historiadora Luciana Vilela, Lucilia, Evacira de Coraspe, idealizadora da obra, e o jornalista Luiz Alberto Molinar, na casa de Lucilia, Av. Alexandre Barbosa, 15, Merces.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

OLHARES


Andréia Araújo e Lucilia Rosa
maio/2010

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17/04/2011
Presidenta Dilma em Uberaba
http://www.youtube.com/watch?v=kYLiXSKcdqA

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A presidenta Dilma reverenciou a trajetória da comunista Lucilia Rosa, que morreu aos 98 anos, no último dia 3. Foi durante discurso, na manhã desta 5ª feira, após assinar protocolo de intenções da Petrobras para a implantação da Unidade de Fertilizantes e de um gasoduto em Uberaba. O investimento é de cerca de R$ 3 bilhões de reais.

Luiz Alberto Molinar
17/03/2011

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“Neste mês em homenagem à luta internacional das mulheres, queria homenagear uma mulher muito corajosa aqui de Uberaba. Dona Lucila Rosa Soares que faleceu aos 98 anos. Foi uma das primeiras vereadoras de Minas Gerais. Não foi vereadora numa época em que era fácil. Foi vereadora numa época em que a discriminação era mais forte. Participou de movimento sem se deixar intimidar ou esmorecer. Portanto, a minha homenagem a dona Lucila.”

presidenta Dilma Rousseff
17/032011

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Lucilia deixa um legado, que devemos lutar com todas as nossas Forças contra o mau que nos arrasta para um mundo desigual e da mais absurda exploração de força de trabalho esse mau e o "CAPITAL"....

Em conversas, Lucilia nos relatava com bastante vigor que "O CAPITAL E UMA DESGRAÇA"... e como foi sua luta contra repressão militar na ditadura e dentre outras historias.

LUCILIA NOSSO CORAÇÃO VERMELHO REVOLUCIONÁRIO HOJE ESTA EM LUTO!

ALGUMAS FRASES DA GRANDE REVOLUCIONARIA LUCILIA ROSA
“Lutei muito, sempre fazendo uma política sadia, séria, mas os grandes não respeitaram os comunistas. Apanhei e apanhei na cadeia com pontapés de coronéis e latifundiários”
“Filiei ao PC no fim da ditadura Vargas, uma hora na legalidade outra na clandestinidade, mas fui sempre comunista”
“O MST é o movimento da minha paixão. Eu sempre adorei o mato”

Gustavo Vaz, sexta, 4 de março de 2011 às 07:13

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Saudades!
Perdemos a nossa querida Lucília Rosa, quanto pesar. Hoje fiquei relembrando a sabedoraia daquela mulher, franzina, as vezes tão indefesa.
Fiz várias entrevistas com ela. Certo dia, aliás na primeira entrevista, isto lá pelos anos ...de 1993 ou 94, lá estava eu na sua casa de assoalho de madei...ra, poucos móveis e sem televisão, ela não gostava. Iniciamos nossa entrevista dentro de um barracão no fundo do quinta, cheio de teias de aranhas e muíto pó, perto de um galinheiro. A entrevista tinha que ser ali, era uma ordem dela, para o barulho da rua não nos atrapalhar. E foram seis dias de uma longa entrevista, de uma bela história de vida. Com ela pude aprender o verdadeiro ideal do Partido Comunista e mais um pouco da vida de seu grande amigo Luis Carlos Prestes-o Velho, como ela dizia.
Não esqueço, do local da entrevista. As vezes tínhamos que parar um pouco para respirar e tomar um café feito comaçucar mascavo, ela não usava outro tipo de açucar. Outras vezes, aínda me contando suas histórias, ela pegava uma das suas galinhas poedeiras e começava a lixar os pés da galinha, era um hábito dela, para manter a saúde das galinhas. No seu quintal tinha de tudo: hortaliças, frutas, plantas medicinais e muito maracujá. Certo dia eu estava tossindo muito, então ela me preparou um suco puro de maracujá, com sementes e mel e tive que tomar e olhe que foi bom mesmo.

Dona Lucília Rosa foi minha grande amiga. Na pessoa dela, homenageio todas as mulheres fortes e batalhadoras de Uberaba, neste dia 8 de março - dia da mulher.
Saudades dona Lucília, descanse em paz.

Para você Luciana Maluf que está se dedobrando para editar o livro sobre a vida de dona Lucília. Parabéns a você e ao Luiz Alberto Molinar por este belo trabalho. Espero que os nossos políticos reconheçam o trabalho de vocês e que este livr...o chegue às nossas faculdades, bibliotecas escolares etc.

boa sorte.
Maria Aparecida Manzan
07 de março


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98 anos de vida BEM VIVIDA!!!! LUCÍLIA ROSA VERMELHA que se vai, mas que deixa seu perfume eternamente impregnado em nossos corações!!!

Neumam Paiva-
4 mar/2011

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A camarada Lucília viveu e morreu em seu ideal. Quem consegue imaginar isso nos dias de hoje? Missão cumprida. Ao jornalista Molinar e historiadora Luciana a nossa gratidão e para as novas gerações. Como disse Einstein sobre Gandhi digo sobre a Lucília: as futuras gerações custarão a acreditar que uma pessoa assim de carne e osso existiu...

Cacá Sankari
03 de março

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Sempre uma nova lição ....

Às vezes nem só com dinheiro ajudamos as pessoas. Um gesto, uma palavra amiga, ou um simples sorriso pode trazer muita alegria na vida de várias pessoas. Dinheiro faz falta? Faz. Mas o carinho que damos à elas, incentivam-nas a ter força e continuar lutando, e nunca desistir de lutar, pois às vezes, não desistimos por sermos covardes e termos medo, mas por cansar de sofrer.

(...)
São pessoas, exemplos de que, até pessoas que foram importantes acabam sendo esquecidas, mesmo tendo feito atos que são reconhecidos. Pessoas como ela que me fizeram chorar quando disseram: "Continue ajudando, fazendo o bem, mesmo que seja com um sorriso, porque o bem nunca vai ser deixado de ser reconhecido por alguém maior que todos nós."

Foram elas que me fizeram perceber o quanto eu tenho, e como as coisas simples da vida são muito importantes. E também que, parar de lutar é a pior covardia que o ser humano pode fazer.


" Eu me sinto bem por um lado, mas infeliz pelas contradições. A vida é uma contradição diária. " Lucília Soares Rosa

Deia Araújo
12/05/2010
Blog: Projeto Despertar Social

quarta-feira, 9 de março de 2011

NOTÍCIAS FALECIMENTO LUCILIA SOARES ROSA

FALECIMENTO - Morre em Uberaba, aos 98 anos, LUCÍLIA ROSA - Portal Luis Nassif

Morre Lucília Soares Rosa, aos 98 anos, protagonista dos movimentos sociais - Deputado Estadual Adelmo Carneiro Leão PT/MG

Morre em Uberaba uma das primeiras vereadoras de Minas - NOTA DA BAND TRIÂNGULO SOBRE A MORTE DE LUCILIA

Morre aos 98 anos Lucília Rosa, histórica líder comunista de MG - Portal Vermelho

OFICIAL - PROFESSORINHA MUITO MALUQUINHA: DIA DA MULHER - HORA DE REFLETIR - Morre aos 98 anos Lucília Rosa, histórica líder comunista de MG

- BLOG "O PENSNATE" MOSTRA A LÍDER HISTÓRICA LUCILIA ROSA

Quem tem medo do Lula?: Morre Lucilia Rosa - A "comunista convicta"

BLOG DO TEATRO EXPERIMENTAL DE UBERABA APRESENTA NOTAS E NOTÍCIAS SOBRE A MORTE LUCILIA ROSA

SÍTIO ESPANHOL DA GALÍCIA REGISTRA PARTIDA DE LUCILIA ROSA

LUCILIA ROSA, PRESENTE! - BLOG DA SULAMITA

SÍTIO JUS BRASIL PUBLICA MORTE DE LUCILIA ROSA

A ESTRELA VERMELHA, LUCILIA ROSA, AGORA BRILHA NO CÉU.
DEPOIS DE JANTAR, ÀS 18H30 DESTA 5ª FEIRA,03/03/2011
DEU UM DE SEUS GRITOS E FOI-SE NATURALMENTE.



DONA LUCILIA VIVE!

Foi lindo e emocionante o velório ao som da "Internacional"...
Todos se levantaram e, num silêncio profundo, ouviram o hino.
Bela homenagem de Cacá Perez na flauta e de Milo Sabino declamando.
...Victor Martins, velho amigo e companheiro de Partido Comunista, discursou...
No cemitério, a comunista convicta despediu-se aos acordes de Bach.


Luiz Alberto Molinar.

domingo, 19 de dezembro de 2010

OLGA BENARIO: uma grande MULHER


OLGA BENARIO: uma grande
MULHER,
uma grande MÃE


Enviar mensagem Exibir blog de DiAfonso

Da editoria-geral do Terra Brasilis


As postagens que se sucederão, a partir de agora, são fragmentos extraídos de OLGA [1], do jornalista e escritor Fernando Morais. Trata-se de postagens com trechos que marcaram profundamente a releitura que, em meio às agonias do cotidiano, acabo de fazer [a primeira leitura ocorrera no início de 1986 e tinha um propósito de resgate histórico daqueles anos difíceis para quem tentou apear do poder o então presidente GetúlioVargas e instaurar um regime de governo que beneficiasse a classe trabalhadora e os oprimidos de maneira geral]. Sem desmerecer a importância histórica da obra em sua totalidade, centrei, nesta segunda leitura, uma linha que fizesse emergir a OLGA-MULHER-MÃE, que fora minimizada, certamente, na primeira leitura.


Comentário de Marco Antônio Nogueira
NOTA:
Trouxe do PORTAL DO NASSIF,
onde fiz um breve comentário
à LUCÍLIA ROSA, de Uberaba,
que está no rodapé.

Abraços,

Marco Antônio


Amigos,

Se o assunto é OLGA BENÁRIO, havemos de também lembrar da filha ANITA LEOCÁDIA.
E assim é necessário que se conheça também uma mulher de Uberaba de nome LUCÍLIA ROSA, que foi sua pajem. Um jornalista- LUIZ ALBERTO MOLINAR -e uma historiadora- LUCIANA MALUF -cuidaram de abrir um Blog a ela.


Obs. O Blog foi criado por Ana Paula Vilela e Luiz Alberto Molinar.

Luciana Maluf.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A história de uma mulher que conviveu com Luiz Carlos Prestes

MGTV 1ª Edição, TV Integração, Uberaba,  19/jul/2010

Experiência de Lucília Soares Rosa vai virar livro escrito por jornalista de Uberaba


Uma mulher fascinante e que aos 97 anos, ainda muito lúcida, conta pelo que passou durante um dos períodos mais conturbados e negros da nossa política. Lucília Soares Rosa fala da experiência de conviver com Luiz Carlos Prestes, um dos principais comunistas da história do Brasil.

Filha de anarquistas, Lucília, hoje aos 97 anos, relembra a juventude, a vivência política dedicada à causa revolucionária. “A minha vida era bem vivida porque eu queria aprender o partido, porque eu era de partido, e não era uma mulher comum. Eu tenho compromisso com o partido. Quando o partido ia ter uma reunião séria e todas eram seríssimas. Eu não tinha marido para falar que eu não vou, você fica com os meninos que eu vou”, conta.

Pulso forte em várias situações. Em casa, com os filhos, o respeito era o mais importante. “Eles me obedeciam cegamente, eu sabia dar respeito, não tinha esse negócio de bater em filho e xingar, eu manobrava com habilidade mesmo, eles me obedeciam sem ser preciso estar xingando, batendo”.

E a convivência com Luiz Carlos Prestes marcou a vida política de Lucília. “Era muito simples, ele passava a maior parte do tempo nas casas de amigos fazendo trabalhos fechados. Na vez que eu fiquei com ele em São Paulo, pouco a gente tinha tempo de conversar porque ele era sobrecarregado de assunto sério. Ele tinha que estar sempre lendo. Ele me ouvia porque eu sabia governar e eu falava com a mulher dele que não tinha esse negócio porque ela era mulher dele que ela ia me dominar não, porque ela era atrasada, o jeito dela lidar batia com o meu também”.

Na época da ditadura no Brasil ela sofreu as consequências. Se mantia sempre muito bem informada do que acontecia no mundo. Naquele tempo era companheira de Anita Leocádia, filha de Luis Carlos Prestes com Olga Benário. Ajudava Anita e, principalmente, cuidava da segurança dela.

Talvez Lucília estivesse muito a frente das mulheres de seu tempo. Sempre sem ter medo das consequências ela não se contentava com pouco quando o motivo era lutar pelo comunismo. “Eu conversava com o chefe deles com consciência que eu estava conversando com o inimigo e nunca tive medo e então eles sabiam que eu não era brincadeira. E eu não tava brincando de comunismo não”, lembra.

A candidatura veio aos 35 anos. A primeira vereadora eleita em Minas Gerais na cidade de Campo Florido. De Lucília para Lucrécia, esse foi o nome que ela usou quando filiou ao partido. Nome de guerra e uma luta constante pelo comunismo. E não foram só flores. Também foi presa e apanhou tentando impedir que acabasse a democracia. “Eu nunca neguei na minha vida que eu não fosse comunista, tive presa, apanhei na cara”, conta.

Hoje, vivendo em um abrigo de idosos, se sente realizada por tudo o que fez, por todas as lutas que venceu na vida. “O mais importante é que eu cheguei ao fim da vida sem uma mancha no partido e eu sou conhecida internacionalmente”, diz.

A história de Lucília realmente é fascinante e agora vai virar livro. O jornalista Luiz Alberto Molinar reuniu documentos, fotos e muitas cartas. A princípio ele achou que ia gastar poucos meses, mas já são quase três anos de trabalho. O livro sobre Lucília Rosa Vermelha está em fase final. São 400 páginas de uma obra que deve ser publicada ainda este ano.

E não foi só na região que ela ficou conhecida, a fama da comunista vai muito além. “Descobrimos que o segundo partido anarquista do Brasil foi fundado em Uberaba, encontramos isso na Holanda, em um jornal que foi preservado e que tem uma cópia em Campinas”, conta Luiz Alberto.

O livro faz parte do projeto de comemoração dos 170 anos da Câmara Municipal de Uberaba e deve ficar disponível nas bibliotecas da região por onde ela passou.

http://megaminas.globo.com/2010/07/19/a-historia-de-uma-mulher-que-conviveu-com-luiz-carlos-prestes

quinta-feira, 17 de junho de 2010

I Semana de História da UFTM

VII Confraria de Estudos Livres em História, jun/2010
Anna Gomes


"Olá!

Com uma ampla diversidade temática e de público, a I Semana de História da UFTM superou todas as expectativas. Nos três dias de evento, entre palestras, mesas-redondas e oficinas, a Confraria gentilmente convidada pelos organizadores, participou na abertura do evento, em sua sétima edição com a temática Lucília Rosa: 90 anos de Memória. Debatemos a partir da vida da mesma, tanto o comunismo, como questões de gênero.
 
(Clique na imagem para ampliá-la)
 
Dentre os quatro confrades convidados, a historiadora Luciana Maluf e o jornalista Luiz Alberto Molinar, a partir de obra biográfica em torno da vida de Lucília Rosa, a ser inclusive lançada em agosto, contextualizaram a figura de Lucília no cenário uberabense, e discutiram a relação dela com outras figuras notáveis da cidade.

(Clique na imagem para ampliá-la)

Além disto, a professora e cientista social Rosimar Querino trabalhou a relação entre comunismo e gênero, exemplificando inclusive com outras mulheres que tiveram trajetória parecida com a de Lucília. Finalizando, tivemos um breve depoimento de Ana Claudia Rosa, bisneta da protagonista de nosso debate, que falou sobre as experiências familiares e envolvimento político na família.

Agradecemos a presença de todos, os elogios recebidos posteriormente e em especial ao professores que nos confiaram tal responsabilidade.

Em breve mais novidades!

Até logo!"

http://confrariaelhistoria.blogspot.com/2010/06/vii-confraria-de-estudos-livres-em.html

domingo, 13 de junho de 2010

Alunos da Escola Castelo Branco realizam o projeto ‘Despertar Social’

 Jornal de Uberaba, 15/mai/2010
Renata Vendramini

Lucilia, na cadeira de rodas, ao centro, ladeada por alunos e companheiros do asilo Cantinho da Paz, Amor, Fé e Caridade
(Foto retirada do blog Projeto Despertar Social: http://projetodespertarsocial.blogspot.com/ )
Clique na foto para ampliá-la


Os alunos da Escola Estadual Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco há dois meses deram início ao projeto "Despertar Social", que tem como objetivo proporcionar mais carinho e momentos de lazer aos idosos do asilo "Cantinho da paz, amor, fé e caridade", localizado na rua Segismundo Mendes, centro.

Segundo a diretora do projeto, que também é professora de geografia na escola, Ana Cláudia Urbano, a ideia é trazer mais felicidade a um ambiente que por si só já é triste. "Em sua maioria, os velhinhos ficam abandonados. Os filhos não procuram mais pelos pais acolhidos pela casa e nem mesmo ligam para saber das condições de saúde em que eles se encontram. Toda essa situação é muito triste, e o que queremos é apenas levar um pouco de amor, atenção, afeto e momentos de felicidade e, até, vaidade a essas pessoas", esclarece a diretora da iniciativa social.

Ana Cláudia explica que todos os sábados um grupo de 25 alunos da Escola Castelo Branco vai até o asilo e, junto com os internos, faz brincadeiras, conversa, escuta, conta histórias, enfim, oferece todo o carinho e atenção possível para os velhinhos. "Os meninos também fazem as unhas das senhoras, massagem, dão abraço, cantam, dançam para eles e a resposta vem rapidamente com um sorriso no rosto."

Ainda de acordo com a diretora do projeto, os alunos juntam roupas que não usam mais, calçados, bolsas, ou qualquer outro item que possa ser passado para frente, e doam para o asilo. "É uma alegria só quando vemos os rostinhos daqueles idosos sorrindo pra gente ao receberem um presente. Hoje percebo que tanto eu como eles estamos aprendendo, além do mais é um trabalho social, estamos descobrindo a importância de doar e receber amor, valorizar o idoso, afinal, esse é o fim de todos nós", finaliza Ana Cláudia.

No asilo "Cantinho da Paz, Amor, Fé e Caridade" está internada a primeira vereadora comunista do país, Lucilia Soares Rosa.

(http://www.jornaldeuberaba.com.br/?MENU=CadernoA&SUBMENU=Cidade&CODIGO=36842)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mulheres Destaque são homenageadas pela Câmara Municipal de Uberaba

 Em solenidade ocorrida ontem (07/04), no anfiteatro Ataliba Guarita Neto, a Câmara Municipal de Uberaba, entregou o título “Mulher Destaque do Ano/2009” a 14 personalidades femininas. A homenagem foi criada em 1999, pelo ex-vereador Omilton Bento de Souza Filho, o Miltinho. As homenageadas são cidadãs que prestaram relevantes serviços a comunidade uberabense, se destacando em seus segmentos. Foram agraciadas as seguintes personalidades:

Eliana Helena Correa Neves Salge homenageada por Afrânio Cardoso de Lara Resende; Maria Cristina Strama homenageada por Almir Pereira da Silva; Maria Abadia Silva Alves homenageada por Tony Carlos; Terezinha Jesus Pinto Cartafina homenageada por Antônio dos Reis Gonçalves Lerin; Maria Rita Carniel de Melo homenageada por Carlos Alberto de Godoy; Ana Maria Zampieri Rocha homenageada por Cleber Humberto de Souza Ramos; Ercília Alves Valim homenageada por Itamar Ribeiro de Rezende; Wanda Oliveira Prata homenageada João Gilberto Ripposati; Elaine Donata Ciabotti homenageada por Jorge Ferreira da Cruz Filho; Lucília Soares Rosa homenageada por José Severino Rosa; Raquel dos Santos Anjo Rod. Da Cunha homenageada por Lourival dos Santos; Zulmira Amélia Pontes Sabino homenageada por Luiz Humberto Dutra;Alcinéia Cabral homenageada por Marcelo Machado Borges; Silvania Alves Duarte Sousa homenageada por Samuel Pereira.
Fonte: http://www.camarauberaba.mg.gov.br/site/
O ex-vereador, de 1983 a 1988, Calixto Rosa Neto (PMDB),
ao fundo na foto, filho de Lucilia, recebeu a homenagem por ela

sábado, 30 de janeiro de 2010

PT e PMS homenageiam mulher

O Estado do Triângulo, Sacramento, março/1998



Clique sobre o jornal para ler as matérias

O PT e o Departamento de Cultura da Prefeitura promoveram, na noite de 12 de março, na sala de reuniões da Câmara Municipal, um encontro para festejar o Dia Internacional da Mulher. Além das homenagens às mulheres sacramentanas que se destacaram pelos seus relevantes trabalhos, foram convidadas para falar, a primeira vereadora de Minas Gerais e líder comunista, Lucilia Soares Rosa, 86 anos, e prof. Dimas de Oliveira Cruz.

Foram homenageadas com ramalhetes de rosas Lucilia Soares Rosa; Dora Cerchi, primeira vereadora de Sacramento, representada pela irmã Marisa Cerchi; Mírian Borges da Cunha, primeira filiada do PT em Sacramento, representada pelo casal Saulo e Perpétua Wilson e Christina Russel Mac Sorley, representada pela Ir. Magda, da Igreja Casa de Oração.

Os palestrantes encantaram o pequeno público que participou das homenagens feitas à mulher sacramentana. Lucilia, no alto de seus 86 anos, mostrou um ideal incomum na luta que manteve desde os 12 anos na defesa dos ideais do Partido Comunista. Amiga e empregada doméstica de Luiz Carlos Prestes, Lucilia recordou suas comoventes experiências na militância do partido...


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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Ela é uma 'perpétua caixinha de surpresas'

 Revista Destaque In, Sacramento, junho/1998
Dimas da Cruz Oliveira

Comemorações têm sempre um caráter solene. São realizadas num vasto espaço aberto, ao som festivo das bandas, ou então acontecem num vistoso salão iluminado por lustres imponentes e mobiliado por cadeiras igualmente respeitáveis; sucedem-se os discursos, ecoam as ladainhas da eloquência durante horas intermináveis enquanto a plateia entediada lança olhares de cobiça para as iguarias dispostas nos melhores casos. Exagero? Talvez não, afinal de contas a perspectiva muda quando uma comemoração é vista "do lado de dentro", além da sua aparência brilhante.

Assim, com acento quixotesco, comemoramos o Dia Internacional da Mulher mais ou menos como se comemora o Dia do Índio acendendo fogueiras em Brasília ou o Dia da Abolição enfatizando a situação pouco lisonjeira do negro no Brasil. Falamos sobre o papel fundamental da mulher na construção da sociedade, sobre a sua função educadora e redentora, citamos famosas personalidades femininas, tecemos loas às nossas mães, irmãs, esposas, filhas... e oferecemos lindos buquês de flores a D. Lucilia. Por que D. Lucilia? Por que falamos dessa mulher singular e "comemoração viva" da condição feminina? Porque D. Lucilia surpreende a todos; ela é uma 'caixinha de surpresas' com sua inesgotável loquacidade e humor.

D. Lucilia foi nossa convidada especial e foi, ela mesma, um ponto de atração. Atração porque sua verve, sua inteligência e espírito crítico, jamais falham. Ao receber as flores, ela foi contundente: ao invés de limitar-se a um prosaico agradecimento ela declamou contra a opressão da mulher na nossa sociedade; protestou alto e bom som, contra a posição de pretensa superioridade masculina; afirmou que a comemoração deveria estender-se a todos os dias do ano e traduzir-se em gestos de colaboração, de carinho, de amor, que amenizam a dureza da vida cotidiana. Porque o dia a dia da mulher não é feito de flores e elogios, mas de terríveis provações. Entre os desempregados, os doentes, os violentados, quantas são as mulheres e quantos os homens? Numa cultura machista por tradição não é tarefa fácil libertar a mulher e elevá-la à mesma condição do homem. A situação, muitas vezes, num processo semelhante ao do racismo, é mascarada, disfarçada a fim de se evitar qualquer mudança; quem sabe até mesmo numa comemoração do Dia Internacional da Mulher, sob chancela masculina, não reflete essa situação?

Ao conhecermos D. Lucilia, sentimos que a palavra "comemoração" perde a rigidez e solenidade, e passa a correr nas nossas próprias veias.

Dimas da Cruz Oliveira é professor e mora em Sacramento (MG).

domingo, 29 de novembro de 2009

Mais uma vez, história!

Blog Colcha de Retalhos, 20 set/2009
Angélica Marchiori

"(...) encontrei um blog de uma senhorinha linda: Lucília Rosa Vermelha. Guerreira, revolucionária, que como muitos nesse país lutou por uma sociedade mais justa em um dos períodos mais densos de nossa história. Leio, choro, emociono-me. Gostaria de conhecer Lucília, Anita e mais Lucílias, Anitas, Luises, Zuzus e anônimos que escreveram a história do país com luta, com sangue... Quem sabe em algum momento, não é?  (...)"

Angélica Marchiori é educadora, historiadora e reside em Piracicaba (SP). É autora do blog Colcha de Retalhos: http://colchatalhos.blogspot.com/

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Idade e paixão revolucionária

Revista Destaque In, Sacramento, mar/abr 2008
Lauro Guimarães

A trajetória de Lucilia Rosa é algo bastante raro em termos de coerência e forte ligação entre convicção e história de vida.

Teve contato com as idéias socialistas já na infância dos longínquos anos 20, em uma Uberaba controlada pela aristocracia rural, cidade então muito pequena e que respirava sob o clima pesado de religiosidade católica sufocante, preconceituoso e retrógrado.

Cresceu absorvendo o ateísmo do pai Calisto Rosa, precursor ativista social do princípio do século XX, militante inicialmente adepto do anarquismo, que ousava ser um assumido contestador das instituições reinantes, em pleno auge do coronelismo violento e castrador de qualquer insubordinação a seu completo domínio.

Tendo conseguido estudar muito pouco, Lucilia pôde, entretanto, conhecer os livros marxistas que maravilharam o alfaiate Calisto Rosa e o fizeram converter seu ideal transformador, do Anarquismo, para o Marxismo que se procurava implantar na Rússia, então recém saída da vitoriosa revolução de outubro, cujas notícias da tomada do poder por soldados e operários em armas, corriam mundo.

Mesmo integrando um número pequeno e insuficiente de idealistas, movidos pela generosidade e pela crença inabalável no socialismo, Lucilia logo se perfilou, em Uberaba e acolá, junto a companheiros que se dispunha, como ela, a remover gigantescos obstáculos em busca de uma nova sociedade, igualitária e fraterna.

Problemas e questionamentos existenciais pelos quais todos nós passamos, não foram capazes de abalar sua certeza inquebrantável no advento de novos tempos, para os quais cabia lutar.

Militante comunista desde muito jovem, combativa vereadora na pequenina cidade de Campo Florido em 1947, ao se bater pelos direitos dos despossuídos, confrontou ali também com a prepotência do poder dominante.

Empregada doméstica em casas de gente rica, a vida toda ganhando salários baixos, Lucilia teve que fazer um intenso sacrifício para conseguir educar e formar seus dois filhos.

Morou por vários anos na capital paulista, onde conviveu com o então secretário-geral do Partido Comunista do Brasil, (PCB naquela época) Luiz Carlos Prestes, conhecido no Brasil e no exterior, por décadas, como o legendário Cavaleiro da Esperança.

Tornou-se íntima das irmãs do dirigente comunista e, principalmente, de Anita Leocádia, filha de Prestes com Olga Benário, a alemã assassinada em 1942 pelas forças nazistas no campo de concentração de Bernburg.

Conseguiu detectar, com sabedoria, a nefasta influência das relações capitalistas de produção como grande causadora de conflitos pessoais, denunciando e alertando contra anseios e valores burgueses difundidos e martelados incessantemente nas cabeças dos seres humanos, seja através dos meios de comunicação ou de outros instrumentos de transmissão ideológica.

Nos perigosos anos 70, viveu na clandestinidade em São Paulo, escondendo sob disfarce a famosa filha de Prestes, intensamente procurada pela Polícia.

Por nada menos que seis décadas, enquanto o Partido estava a serviço da causa e suas ações se fundiam com os ideais revolucionários, a dedicação de Lucilia ao Partido foi sua primordial tarefa e preocupação, as quais todas as demais, sem exceção, estiveram subordinadas.

Ao longo de sua vida quase centenária não cultivou nenhum projeto pessoal de riqueza ou de conforto material que pudesse desviá-la da priorização da causa dos oprimidos.

Quando adveio a desilusão e discordância com os rumos e a linha do Partido, foi com tristeza que ela efetuou o inevitável afastamento daquele símbolo para o qual tanto lutou. No entanto deu prosseguimento firme à dedicação direta às mesmas causas de antes. Ao contrário de tantos que usaram os erros do Partido para renegar a luta e alguns até para passar a servir à direita, aqui também Lucilia foi extremamente digna.

Foi assim que, em 1980, manteve-se alinhada às novas posições políticas de Prestes, quando do rompimento entre o “Velho“, que havia retornado ao Brasil um ano antes, vindo do exílio, e o PCB moderado que emergia da clandestinidade.

Nos mesmos anos 80 participou ativamente Dona Lucilia da organização e das atividades do Centro de Integração da Mulher (CIM), entidade feminista atuante em Uberaba naqueles anos.

Com a auto-decretação do fim do seu antigo PCB, em 1992, quando a convidaram a aderir à nova agremiação partidária que surgia o Partido Popular Socialista (PPS) ela dizia de forma bem objetiva: "Esse 'Pepsi' não vai a lugar nenhum".

Continuou acreditando numa sociedade fundada na igualdade, e qual não foi sua alegria ao saber que na vizinha cidade de Campo Florido, onde sofreu violência policial e humilhações em virtude de seu espírito combativo, um enorme latifúndio havia sido ocupado em 1993 por dezenas de famílias sem-terra. Lucilia apoiou como pôde os ocupantes da área, auxiliando-os de todo modo e tornando-se também amiga de muitos deles, hoje assentados e gerando produção em uma terra antes abandonada.

Sempre se pautou por um notável despojamento, humildade pessoal e material, prestando integral solidariedade aos que lutam pelas causas sociais mais nobres.

Conquistou a amizade familiar e a gratidão eterna da família de Prestes, das irmãs do “Velho”, Eloísa, Clotilde, Lúcia e a mais nova, Lygia, por ter sido tão corajosa e devotada na tarefa partidária de proteger Anita em São Paulo, nos anos mais negros e arriscados da ditadura militar. Este cultivado carinho e admirações mútuas fizeram Dona Lucilia e a família do "Velho" trocarem cartas constantes.

Os revezes de toda ordem que a vida costuma trazer, sejam eles de caráter pessoal ou coletivo, como o foi o desabamento da União Soviética para Dona Lucilia, não a levaram a abdicar e, muito menos, renegar ou maldizer suas convicções e posições políticas.

Isso porque sempre foram posições tomadas com profundidade, radicais, porém não da tonalidade e conteúdo de um esquerdismo infantil.

Várias foram também as pessoas que a olharam, no decorrer deste bem extenso caminho, com o desprezo cultivado aos esconjurados “radicais“, ignorando que os atos e posicionamentos políticos de Lucilia se guiavam pela saudável radicalidade na acepção genuína do termo, daqueles que vão à raiz das questões.

As avaliações de todos que a conheceram ou conhecem, sempre estiveram marcadas por dois ângulos opostos de visão: baixinha destemida, brava mulher, altamente idealista, na ótica de seus companheiros e admiradores, ou; inversamente, apenas uma mulher geniosa, no entanto perigosa comunista, da qual se devia guardar distância, para os que abominam suas ideias.

Tão rica em tempo de existência e de luta, Lucilia, materialmente pobre, encarna de forma desafiadora, na velhice, a perene juventude daqueles lutadores sociais exemplares, que ininterruptamente travaram o bom combate, os imprescindíveis, nos dizeres famosos de Brecht.

Numa época em que divergir e contestar a ordem estabelecida era extremamente mais penoso do que hoje, Lucilia se atreveu a conduzir sua vida para longe do marasmo e da modorra própria das existências banais, daqueles que ficam o tempo todo, conforme a letra da música de Raul Seixas, "sentado no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar!".

Dotada de sagrada inquietude transformadora, não se permitiu ser tragada pelo egoísmo pessoal e familiar que emburrece, castra e aliena as pessoas, tornando-as reprodutoras inconscientes e apatetadas da dinâmica social e econômica que favorece o processo de acúmulo do capital para poucos e a submissão da maioria.

Rigorosa, consigo mesmo e com os outros, muitas vezes dogmática na forma e no método, poucos seres humanos, entretanto, ao longo de um percurso tão longo de vida, têm sido tão coerentes quanto ela.

Se as senhoras em geral são pessoas respeitáveis, e realmente o são, mais respeitosa ainda é Dona Lucilia, pelo grande desprendimento com que tem vivido, pela história de mulher aguerrida, com as fibras enrijecidas pela luta social.

Para desmerecer o engajamento mais presente na fase jovem da vida e tentar caracterizar o esforço transformador como atos inconseqüentes e passageiros da mocidade, o conservadorismo cunhou a frase: "incendiário aos vinte, bombeiro aos quarenta".

Dona Lucilia, próxima agora aos cem anos de vida, mesmo em estado de debilidade física, é a negação veemente do referido adágio conservador, combinando de forma sadiamente atrevida, forte convicção revolucionária com idade avançada, tal qual Oscar Niemeyer, de quem, além de contemporânea, é companheira de convicções e de admiração à figura histórica de Prestes.

Lucilia, sem ser incendiária, no sentido pejorativo da palavra, mantém sim, em sua avançada idade, um ardoroso desejo de pôr fogo em muita coisa. Se pudesse, certamente colocaria sob as mais altas labaredas todo o sistema capitalista, o latifúndio, as iniqüidades de renda e de riqueza e os subprodutos maléficos deles derivados, motivada pela saudável indignação contra os abismos sociais que sempre vivenciou em todos os lugares onde esteve.

Negada a ela pelas difíceis condições econômicas, a chance de poder ter estudado mais, Lucilia ainda assim compreendeu, via militância e as duras lições concretas da vida, os conceitos de luta de classes, da mais-valia, da relação opressor x oprimido, da inconciliável e antagônica divisão entre os interesses do latifúndio e a Reforma Agrária, do conflito escandaloso entre a ostentação e a opulência, por um lado, e a miséria e a fome, de outro.

Aos profícuos 97 anos, encontra-se ligada há pelo menos vinte anos aos movimentos de luta pela terra, apoiando-os de todas as formas que pôde, seja abrigando lutadores sociais em sua própria casa, quando de seus deslocamentos, seja orientando, com sua vasta experiência de luta, os que a procuram para trocar ideias.

Permanece ela, com altivez de espírito, portadora da velha e saudosa paixão revolucionária que habitou a mente e o coração de lutadores valorosos da humanidade.


Lauro Guimarães é professor, fundador do PT em Uberaba e secretário de saúde em Ubá (MG).