"Vou [morrer] de alma lavada. Estou feliz!"

"A herança que vou deixar são minhas idéias, que ninguém rouba, ninguém toma, ninguém compra."

Lucilia.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Os caminhos de uma rebelde

Luiz Alberto Molinar

Lucilia Rosa, aos 35 anos, foi uma das 16 primeiras vereadoras eleitas, em Minas. Ela é de Uberaba, mas morava em Campo Florido {70km de Uberaba}, onde conquistou, em 1947, uma cadeira da Câmara Municipal. Foi escolhida pelo PSD, porém era militante do PCB (Partido Comunista do Brasil) desde os 18 anos, quando filiou-se e foi batizada como "Lucrécia", seu "nome de guerra".

Ousou e enfrentou preconceitos ao ligar as trompas, em 1939, depois de ter dois filhos. Essa operação somente realizava-se na Europa. Foi presa duas vezes. Em 1949, ao cuspir no rosto do delegado, em Campo Florido. Ficou detida por 13 dias ao participar de manifestação contra o envio de jovens brasileiros para a Guerra na Coreia. Foi em 1951, em Uberlândia. Morou, em São Paulo, durante 15 anos, de 1958 a 1972, quando trabalhou como doméstica, entre outras patroas, para a deputada federal Ivete Vargas (PTB), sobrinha do presidente Getúlio Vargas, que conseguiu-lhe emprego na Caixa Econômica e nos Correios. Rejeitou e manteve-se na profissão que possibilitou-lhe as formaturas, em odontologia, dos dois filhos.

Ela chegou aos 97 anos, em agosto de 2009, e tem memória extraordinária. Possui um acervo rico de documentos, entre eles, correspondências que manteve com Luiz Carlos Prestes, secretário-geral do PCB entre os anos de 1930 e 1980, e com Anita Leocádia, filha dele com Olga Benário, morta em campo de concentração nazista, na Alemanha. Lucilia mantém contato permanente com ela há mais de 30 anos. Moraram juntas durante dois anos e meio, entre 70 e 72, clandestinamente, durante os mais sangrentos da ditadura militar, em São Paulo. Passava-se por tia de "Alice Nascimento", codinome de Anita. Residiu também, durante três meses em 1962, com a família de Prestes, a quem ajudava a cuidar de seis dos sete filhos.

Sua vida vai ser registrada em livro: Lucilia - Rosa Vermelha. O projeto de pesquisa sobre sua história surgiu durante visita do presidente da Câmara de vereadores de Uberaba, Lourival dos Santos (PC do B), a ela. Estava, em 2006, com a saúde debilitada após 25 dias em coma. Ao ser indagada sobre seu sonho, disse que gostaria de ter sua trajetória publicada em livro. A partir daí a diretora de Comunicação do Legislativo, Evacira de Coraspe, coordena o trabalho desenvolvido pela historiadora Luciana Maluf Vilela e pelo jornalista Luiz Alberto Molinar. A obra, que será lançada em 2009, vai revelar a personalidade, os caminhos de Lucilia, de libertários, anarquistas, socialistas. Enfim, a origem dos movimentos populares e de seus protagonistas, em Uberaba e região, desde o final do século 19 até 2000.

Luiz Alberto Molinar é jornalista e mora em Uberaba (MG).

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Tal pai, tal filha

Benito Caparelli
Tenho pela senhora Lucilia Soares Rosa e seu estimado culto e admirado pai, Calisto Rosa, a maior admiração e apreço. Com este último, tive o prazer e a agradável satisfação de reunir-me, juntamente com alguns companheiros, nos primórdios de minha atividade política e, inversamente, no ocaso da militância dele, vez que, já quase nonagenário, porém, conservando lucidez e memória impressionantes, nos aconselhava e relatava suas gestões políticas em Uberaba, e cidades circunvizinhas, sua ativa participação na fundação do sindicato dos alfaiates, considerado o primeiro órgão político-social de representação classista da cidade, lá pelos idos de 1920.

Dissertava sobre os fatos da ocorridos no país e em nossa cidade, com extraordinária clareza e riqueza de detalhes, mormente se relacionados com a fundação do Partido Comunista do Brasil e a vinculação deste com a Internacional Comunista, discorrendo sobre a personalidade de cada um dos líderes deste movimento político-ideológico, citando corretamente os nomes e as atividades de cada uma dessas lideranças.


Sobre a doutrina marxista, o Velho Calisto era professor emérito, já que havia acumulado cultura autodidata superior a de muitos dos intelectuais diplomados que conheci. Falava e discutia a filosofia de Marx e Engels como ninguém e, eu, ficava, simplesmente, encantado e perguntando-me como um simples operário, como ele, era capaz de ter amealhado tanta cultura política. De tão embevecido que permanecia como que, parafraseando Quintiliano Jardim, diria, agora: "Uberaba de antanho e Uberaba de agora, não sei qual das duas quero mais. Se a de meus dias joviais ou se dos meus dias outonais".


Seu Calisto, como era chamado, historiava a vida política de Josef Stalin, que foi secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, de 1922 até 1953, logo após a morte do líder da Revolução Russa de 1917, Vladimir Lênin; do intelectual revolucionário Leon Trotsky, morto brutalmente a machadadas no México, em 1940, onde se encontrava asilado, de quem era grande admirador; de Alexander Kerensky, que foi primeiro-ministro da jovem república russa e ministro da Guerra da União Soviética, no período revolucionário, e de tantos outros iniciadores da doutrina socialista.


Relatava, minuciosamente, as estratégias da Segunda Guerra Mundial, principalmente em relação à invasão alemã na União Soviética, discorrendo, particularmente, sobre o cerco de Stalingrado e o heroísmo desse povo que, malgrado ter perdido milhões de cidadãos, despreparados para a guerra, ainda conseguiu derrotar o exército nazista, numa das mais belas epopeias da humanidade. Sobre a biografia de Prestes, o seu exílio e o casamento com Olga Benario Prestes, era profundo conhecedor e fiel transmissor de fatos.


Não sei se ele chegou a participar da Revolução de 1930, mas foi assíduo sabedor dos intrincados fatos políticos da ocasião, mormente sobre a ditadura Vargas, a quem enaltecia os avanços legais na conquista dos parcos direitos tuitivos da classe operária e, ambiguamente, tecia ardorosas críticas à falta de liberdade política e o distanciamento da ditadura dos mais comezinhos princípios democráticos.


Era, simplesmente, encantador ouvi-lo. Sua filha Lucilia, a quem dedicamos nossa mais fiel estima e consideração, não fugiu à regra e nem distanciou-se dos ensinamentos do pai. Melhor será dizer, tal pai, tal filha. Saiu à sua imagem. Conheci-a como membro ativo do incipiente do movimento comunista de Uberaba, que nem mesmo chegou a se transformar em partido político, por razões óbvias de sua injusta ilegalidade e, "et por cause", ser a nossa cidade centro político de visão estreitamente direitista, eminentemente ruralista e tradicionalista, arraigada às suas raízes e ligações profundas com o coronelismo, então vigente.


Não há dúvida de que havia, então, autêntico conflito ideológico entre a nova doutrina socialista, por nós anunciada, batendo de frente com as arcaicas normas legais, relacionadas com o trabalho do homem no campo e no convívio com seus senhores patronais, os quais sempre mantinham representação política, nas mais diversas órbitas administrativas, quer elegendo prefeitos, vereadores e deputados, que lhes garantissem destaque social, isentos de qualquer tipo de contrariedade econômica de origem legislativa, que pudesse impor-lhes tributos destinados à assistência social e previdenciária de seus serviçais.


Basta dizer que, durante o governo de Getúlio Vargas, de longa duração, as poucas legislações de natureza social destinadas à proteção ao homem do campo, advieram de decretos legislativos, sem qualquer origem no colegiado congressista do país.


Não quero dizer, com isto, que todos os agricultores ou pecuaristas de Uberaba, que mantinham inúmeros empregados em suas fazendas eram retrógrados ou, como dizíamos na ocasião, reacionários. Haviam os bons, como ainda há. Aliás, foi na observação do comportamento social de alguns deles é que me tornei admirador da doutrina socialista.


Não raro, caminhando pela praça Santa Terezinha, nos finais de semana, era comum verificar que na porta da residência do inolvidável coronel Ranulfo Borges sempre havia uma leva de velhos e velhas, famintos e indigentes, todos egressos de serviços rurais da região, pedindo alimentos para si e sua prole, por não mais terem capacidade laborativa, dos quais tive a oportunidade de vir a saber: não eram ex-empregados deste bondoso senhor, mas, nem por isso, deixavam de receber tal messe.


O mesmo, semanalmente, ocorria na porta do senhor Felício Frange, no bairro Estados Unidos, como, também, na residência do extraordinário senhor Fued Hueb, no bairro São Benedito. Não me perdoaria se não fizesse registro das incomensuráveis filas de indigentes e de toda sorte de outros pedintes, nas portas do templo espiritual comandado pelo inesquecível Chico Xavier, em busca de iguais socorros alimentares. Quem, da minha idade, não assistiu a tão triste espetáculo do ponto de vista político-social?


Daí, para mim, adveio a indagação: por que estas pessoas, que por tantos anos trabalharam duro e pesadamente nos serviços rurais não mereciam uma aposentadoria digna e, ao menos, capaz de dar-lhes sustentáculo alimentar, e abrigo por moradia condigna? Qual o porquê da orfandade legal e política desses cidadãos, mal saídos do período em que reinava a escravidão?


Desta indignação, à ação política, para mim e para tantos outros companheiros, inclusive a altruísta Lucilia, foi um simples passo. Juntamente com outras forças políticas, religiosas e sindicais urbanas, considerando ser extremamente necessário a politização desses desamparados camponeses, passamos a fundar sindicatos rurais nas mais diversas localidades e demais distritos suburbanos, sempre aos domingos ou em ocasiões de festas tradicionais, procurando dar a esses relegados trabalhadores da nação a indispensável orientação política, para formação de respectivas unidades sindicais, bem assim, esclarecendo-lhes da importância de seus votos eleitorais, na busca de seus verdadeiros representantes políticos, objetivando a conquista dos direitos que lhes eram inerentes, mas, que, infelizmente, sempre lhes foram negados.


E, lá, sempre, estava presente a companheira Lucilia, encarregada da discussão política com as mulheres dos trabalhadores, cujo missão era quase impossível ser praticada por homens. Deixava, ela, seus afazeres familiares domésticos, em detrimento da causa política, por considerar esta de maior importância naquela ocasião. Expressando com imensa facilidade e falando o linguajar fácil das pessoas do campo, lá estava a companheira Lucilia cumprindo honrosamente o seu munus esclarecedor, além de distribuir panfletos e jornais de edição operária, estampados com registros de conquistas desses trabalhadores em outros rincões.


Posso afirmar, com absoluta segurança, a inexistência de outras mulheres naquela ocasião, atuando na "frente de combate" de tais atividades, motivo pelo que considero a companheira Lucilia a pioneira e a percussora desta efeméride política, pelo que deve ser relembrada e enaltecida para a posteridade e página destacada de sua biografia, a ser lançada, brevemente, pela historiadora Luciana Maluf e pelo jornalista Luiz Alberto Molinar, que, em boa hora, assim foi determinado pela Câmara Municipal de Uberaba, da qual tive a honra de participar, ainda que por breve tempo.



Benito Caparelli ("nome de guerra: Natal") {Uberlândia, 1935- }, agnóstico e advogado trabalhista. Vereador do PCB (Partido Comunista Brasileiro) eleito, em 1962, pelo PL (Partido Libertador), em Uberaba, e cassado após o Golpe Civil-Militar de 1964. Se apresentou ao 4º Batalhão da Polícia Militar e foi detido. Transferido para a Penitenciária Magalhães Pinto, em Ribeirão das Neves, próximo a Belo Horizonte. Ficou preso durante 105 dias. Advogou para o sindicato dos comerciários de Uberaba e fundou as entidades de trabalhadores rurais de Conceição das Alagoas, Água Comprida, Planura, Frutal, Ituiutaba, Veríssimo e Uberaba. Foi juiz do Trabalho em Mato Grosso. Aposentado, mora em Brasília (DF).

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O casamento e o padre

Marco Antônio Paiva Nogueira

Amigos confrades, cultos, inteligentes e esclarecidos cidadãos, emprestem-me os olhos para o blog de dona Lucilia Rosa, cidadã de Minas, uberabense, uma das pioneiras do comunismo no Triângulo Mineiro. Filha de Calisto Rosa, dos primeiros habitantes de Esplanada, hoje Planura, na década de 40, homem culto, íntegro e muito amigo de meu bisavô coronel João Januário da Silva e Oliveira, fundador de Esplanada, no Triângulo Mineiro.

Vale a pena conhecer o seu blog e ver alguns vídeos, que trazem boas entrevistas com a respeitável e admirável Lucilia - Rosa Vermelha, e seus também cultos e honrados filhos: Calixtinho e Moyzés.

Relato aqui um caso ocorrido no dia de meu casamento, em Frutal, em 12 de julho de 1968, quando Lucilia Rosa, provocada pelo padre celebrante da cerimônia, um capuchinho mal-educado, italiano, de nome frei Davi, que lhe chamara a atenção por ter subido no púlpito, buscando melhor visão do ritual, dizendo-lhe que ali era lugar do padre, ela, Lucilia, responde: "Respeite-me, eu sou convidada da mãe do noivo. Este lugar não é só do padre, mas de todos que estão neste templo, pois foi com o dinheiro deles que foi construído". E no púlpito permaneceu até o fim da cerimônia, para o mau-humor do padre.

Uma só palavra à dona Lucilia: Nada importa você acreditar em Deus. O que pesa é Deus acreditar em você. E por seu exemplo de vida, por todo o bem que semeou à nossa gente, aos humildes, aos amigos, temos absoluta certeza de que ele jamais deixou de acreditar em você.

Abraços


Marco Antônio Paiva Nogueira é bancário aposentado e foi vereador de Planura (MG), de 1970 a 1972, pela Arena. Mora em Belo Horizonte (MG).

sábado, 6 de dezembro de 2008

O livro 'Lucilia - Rosa Vermelha' vem aí!


Luciana Maluf Vilela

Não falarei de Lucilia. Quem é ela você já teve idéia pelos artigos e textos do blog. Vou falar de Lucilia - Rosa Vermelha, o livro prestes a ser lançado que conta sua história de vida e boa parte dos movimentos de esquerda em Uberaba e região. A pesquisa e redação foram desenvolvidas por mim e pelo jornalista Luiz Alberto Guimarães Molinar, conhecedor de movimentos sociais e políticos. A obra, após o lançamento, será postada aqui.

A primeira vez que vi Lucilia foi em 2004. Cursava história na Universidade de Uberaba. Ela foi à Uniube contar sobre sua vida. O tempo foi pouco, mas suficiente para perceber "o jeito diferente Lucilia de ser”.

Algum tempo depois desenvolvi um trabalho para o Arquivo Público de Uberaba através do qual entrei em contato com sua documentação e entrevistas. Transcrevi doze horas de entrevista de Lucilia concedida ao historiador Miguel Jacob Neto.

Foi então que mergulhei fundo no mundo de Lucilia. Aquela história precisava ser contada. Lélia Bruno Sabino, diretora do Arquivo, sabia que a Câmara Municipal de Uberaba tinha projeto para este trabalho. Incentivou-me a correr atrás e indicou-me para a diretora de Comunicação da Câmara, Evacira de Coraspe, coordenadora da iniciativa.

Em agosto de 2007 iniciamos o trabalho. Paralelo à vida de Lucilia, no diálogo com as fontes, foram surgindo histórias e pessoas que não havia como ignorarmos. Fatos políticos desconhecidos e fascinantes de Uberaba foram se revelando. O livro foi se ampliando. Acontecimentos foram se interligando como numa trama, mostrando outro lado da história local e regional. Dúvidas foram suscitadas, histórias que com pesquisa mais aprofundada se mostraram mal-contadas.

Personalidades conhecidas e desconhecidas, com atuações políticas e sociais não-registradas, merecem ser levadas a público. Novo livro sobre o tema contribuiria para elucidar e reconhecer o valor e feitos históricos de homens e mulheres que lutaram por liberdade, justiça, democracia.

A história que decorre dos atos de desconhecidas, mas marcantes pessoas, suas dificuldades, lutas, ideais, sonhos e a indomável coragem de fazer melhor pela gente sofrida estão em Lucilia – Rosa Vermelha. Mesmo desconsiderando sua atuação política, por seus valores e ideais, esta guerreira já merecia ter sua trajetória registrada. O livro está em fase final.

Luciana Maluf Vilela é historiadora.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Lucilia, uma comunista nata e de carteirinha

 O Estado de S. Paulo, 6 de janeiro de 2008
João Domingos


Aos 95 anos e doente, ela exige enterro
em assentamento de sem-terra

Clique sobre o jornal para ler a matéria

Lucília Rosa viveu os extremos. Foi ensinada a ser comunista antes da revolução comunista russa de 1917, viu o fim da União Soviética, a queda do Muro de Berlim, a derrocada do sonho socialista, mas não desistiu. Vai morrer comunista. Aos 95 anos, muito doente, mas lúcida ainda, faz sua última exigência política, a de ser enterrada num assentamento de sem-terra, em Campo Florido, cidade a 70 quilômetros de Uberaba.


A história de Lucília está sendo resgatada e será contada em livro pelo jornalista Luiz Alberto Molinar e pela historiadora Luciana Maluf Vilela. O lançamento deverá ocorrer neste mês.


Em 1947, cumprindo missão do Partido Comunista, o velho PCB, então abrigado no PSD, Lucília foi eleita vereadora de Campo Florido, com quase 20% dos votos. Sua campanha foi toda voltada para as mulheres trabalhadoras rurais. Lia para elas obras de Monteiro Lobato. E falava de uma perspectiva utópica para a época, a cidadania.

"Nasci em berço ateu. Sou comunista convicta e assim vou morrer", disse Lucília ao Estado, na casa construída por seu avô há mais de cem anos, antiga Rua Caçu, atual Alexandre Barbosa, centro de Uberaba. Seu pai, o alfaiate Calisto Rosa, era do movimento anarquista. Liderou uma greve em Uberaba em 1919 e, pouco depois, participou da fundação do PCB no Triângulo Mineiro.
Anticlerical numa cidade de predominância católica, Calisto Rosa era provocador. Arrumou um cão perdigueiro e deu-lhe o nome de Lutero, em homenagem a Martinho Lutero, o monge alemão que no século 16 se rebelou contra a venda do perdão pela cúpula da Igreja Católica e fundou o protestantismo. Quando havia uma procissão, Calisto punha o cachorro na janela, para que latisse e assustasse os fiéis passantes.

Nesse clima de confronto romântico com a Igreja Católica, o movimento comunista chamou a atenção de um padre francês de esquerda, que morou em Uberaba no início do século passado, contou Lucília. O padre fez amizade com os sindicalistas. Ao voltar à França, passou a lhes enviar exemplares do jornal comunista L'Humanitè.

Exemplares chegavam por navios. Eram distribuídos em São Paulo, nas cidades do litoral e também no interior de Minas Gerais. Um deles trouxe a letra e as partituras da Internacional Socialista, da qual os comunistas de Uberaba mal tinham ouvido falar. Músicos simpatizantes do partido gastaram semanas para interpretar aquilo e, enfim, fazer chegar ao povo os acordes do hino que durante décadas alimentou o sonho dos socialistas.

Em 1951, foi a Uberlândia participar de um protesto contra o alistamento de soldados brasileiros para a Guerra da Coréia. Houve choque com a polícia. Acabou presa. "O soldado me bateu. Queria que eu chorasse. Respondi que para ele não derramaria uma lágrima." Em 2002, já adoentada, escreveu um carta para o embaixador da Coréia do Norte. Contou que, 51 anos atrás, tinha tentado impedir a ida de soldados para combater ao lado dos Estados Unidos.

Com o segundo grau completo, idéias diferentes e avançadas para a época, tanto na política quanto no comportamento, fez um contrato legal de convivência com um homem que fora casado. Teve dois filhos - Calixto e Moyzés, ambos dentistas - e resolveu, mais uma vez, envolver-se num escândalo - fazer ligadura das trompas. A Igreja a criticou. Para Lucília, foi a glória. Arrumara encrenca com sua maior adversária. "Isso aconteceu em 1939, quando a Alemanha invadiu a Polônia. Durante a operação, o médico elogiou Hitler. Tive medo de que ele me me matasse." Na carteira de identidade, consta que Lucília é solteira.

De 1952 a 1973 ela viveu em São Paulo. Deixou os filhos em Uberaba e foi trabalhar de cozinheira para políticos, um deles, Ivete Vargas, filha de Getúlio Vargas. Sua atuação no Triângulo Mineiro chamara a atenção de Luís Carlos Prestes. Levada para a casa do líder comunista, tornou-se, principalmente, amiga de Anita Leocádia, filha de Prestes com Olga, a alemã judia que o governo de Getúlio entregou aos nazistas e foi morta na câmara de gás.

A casa onde Lucília mora está quase caindo aos pedaços. "É uma casa de comunista", disse ela. "Não tem nada." Não tem quase nada mesmo. Na sala da casa sem estuque, e com teias de aranha tomando conta de tudo, há apenas um sofá, uma mesa e uma cadeira, todos caindo aos pedaços. No seu quarto, uma TV com problemas na imagem, um ventilador que vai pifar a qualquer momento e uma cama de solteiro, com um colchão fino de espuma.

Para sua tristeza, o vizinho resolveu construir um muro bem em frente à porta da sala. Tirou-lhe a visão da rua. Além do mais, derrubou um pé de romã que iria fazer uns 50 anos. "Todo mundo que passava aqui pedia romãs. E eu as dava, porque elas fazem bem para a garganta." Para o vizinho que lhe prejudicou a vista da rua, reserva uma ameaça: "Ainda vou esganá-lo."

João Domingos é reporter especial da sucursal de Brasília (DF), onde reside. Reportagem disponível no link:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080106/not_imp104939,0.php

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Comunista triangulina é tema de livro


Correio de Uberlândia - 6/jan/2008
Agência Estado

Lucilia Rosa, de Uberaba, foi
uma defensora das trabalhoras rurais

Lucília Rosa viveu os extremos. Foi ensinada a ser comunista antes da revolução comunista russa de 1917, viu o fim da União Soviética, a queda do Muro de Berlim, a derrocada do sonho socialista, mas não desistiu. Vai morrer comunista. Aos 95 anos, muito doente, mas lúcida ainda, faz sua última exigência política, a de ser enterrada num assentamento de sem-terra, em Campo Florido, cidade a 70 quilômetros de Uberaba.



A história de Lucília está sendo resgatada e será contada em livro pelo jornalista Luiz Alberto Molinar e pela historiadora Luciana Maluf Vilela. O lançamento deverá ocorrer neste mês.


Em 1947, cumprindo missão do Partido Comunista, o velho PCB, então abrigado no PSD, Lucília foi eleita vereadora de Campo Florido, com quase 20% dos votos. Sua campanha foi toda voltada para as mulheres trabalhadoras rurais. Lia para elas obras de Monteiro Lobato. E falava de uma perspectiva utópica para a época, a cidadania.


"Nasci em berço ateu. Sou comunista convicta e assim vou morrer", disse Lucília ao Estado, na casa construída por seu avô há mais de cem anos, antiga Rua Caçu, atual Alexandre Barbosa, centro de Uberaba. Seu pai, o alfaiate Calisto Rosa, era do movimento anarquista. Liderou uma greve em Uberaba em 1919 e, pouco depois, participou da fundação do PCB no Triângulo Mineiro.

Anticlerical numa cidade de predominância católica, Calisto Rosa era provocador. Arrumou um cão perdigueiro e deu-lhe o nome de Lutero, em homenagem a Martinho Lutero, o monge alemão que no século 16 se rebelou contra a venda do perdão pela cúpula da Igreja Católica e fundou o protestantismo. Quando havia uma procissão, Calisto punha o cachorro na janela, para que latisse e assustasse os fiéis passantes.

Nesse clima de confronto romântico com a Igreja Católica, o movimento comunista chamou a atenção de um padre francês de esquerda, que morou em Uberaba no início do século passado, contou Lucília. O padre fez amizade com os sindicalistas. Ao voltar à França, passou a lhes enviar exemplares do jornal comunista L'Humanitè.

Exemplares chegavam por navios. Eram distribuídos em São Paulo, nas cidades do litoral e também no interior de Minas Gerais. Um deles trouxe a letra e as partituras da Internacional Socialista, da qual os comunistas de Uberaba mal tinham ouvido falar. Músicos simpatizantes do partido gastaram semanas para interpretar aquilo e, enfim, fazer chegar ao povo os acordes do hino que durante décadas alimentou o sonho dos socialistas.

Em 1951, foi a Uberlândia participar de um protesto contra o alistamento de soldados brasileiros para a Guerra da Coréia. Houve choque com a polícia. Acabou presa. "O soldado me bateu. Queria que eu chorasse. Respondi que para ele não derramaria uma lágrima."

Atuação chamou atenção de Prestes

Em 2002, já adoentada, escreveu um carta para o embaixador da Coréia do Norte. Contou que, 51 anos atrás, tinha tentado impedir a ida de soldados para combater ao lado dos Estados Unidos.


Com o segundo grau completo, idéias diferentes e avançadas para a época, tanto na política quanto no comportamento, fez um contrato legal de convivência com um homem que fora casado. Teve dois filhos - Calixto e Moyzés, ambos dentistas - e resolveu, mais uma vez, envolver-se num escândalo - fazer ligadura das trompas. A Igreja a criticou. Para Lucília, foi a glória. Arrumara encrenca com sua maior adversária. "Isso aconteceu em 1939, quando a Alemanha invadiu a Polônia. Durante a operação, o médico elogiou Hitler. Tive medo de que ele me me matasse." Na carteira de identidade, consta que Lucília é solteira.


De 1952 a 1973 ela viveu em São Paulo. Deixou os filhos em Uberaba e foi trabalhar de cozinheira para políticos, um deles, Ivete Vargas, filha de Getúlio Vargas. Sua atuação no Triângulo Mineiro chamara a atenção de Luís Carlos Prestes. Levada para a casa do líder comunista, tornou-se, principalmente, amiga de Anita Leocádia, filha de Prestes com Olga, a alemã judia que o governo de Getúlio entregou aos nazistas e foi morta na câmara de gás.

A casa onde Lucília mora está quase caindo aos pedaços. "É uma casa de comunista", disse ela. "Não tem nada." Não tem quase nada mesmo. Na sala da casa sem estuque, e com teias de aranha tomando conta de tudo, há apenas um sofá, uma mesa e uma cadeira, todos caindo aos pedaços. No seu quarto, uma TV com problemas na imagem, um ventilador que vai pifar a qualquer momento e uma cama de solteiro, com um colchão fino de espuma.
Para sua tristeza, o vizinho resolveu construir um muro bem em frente à porta da sala. Tirou-lhe a visão da rua. Além do mais, derrubou um pé de romã que iria fazer uns 50 anos.

"Todo mundo que passava aqui pedia romãs. E eu as dava, porque elas fazem bem para a garganta." Para o vizinho que lhe prejudicou a vista da rua, reserva uma ameaça: "Ainda vou esganá-lo."


Exemplar e sonhadora

E-mail enviado a O Estado de S. Paulo - 8/jan/2008
Messias Colenghi Stival Jr.

Encantadora a reportagem relatando a vida de Lucília Rosa (6/1, A12). Sou uberabense, embora more em Franca há 17 anos, e conheci essa senhora e sua história ainda criança. Meu falecido pai, Messias, dono de uma sorveteria em frente à casa dela, e minha mãe, Cristina, dona de casa dedicada a cuidar dos filhos, aprenderam muito dos ensinamentos dessa lutadora. Assim como dona Lucília, que tem dois filhos dentistas, minha mãe também formou seus cinco filhos em odontologia. Há exatos dois anos, saímos de Franca e fomos visitar dona Lucília, fizemos fotos e filmagens dela, foi um prazer revê-la lúcida e feliz.

O interessante é que seus filhos Moyzés e Calixtinho, principalmente este último, são pessoas de despojamento material exemplar, costumam oferecer boa parte de seu ofício às pessoas sem poder aquisitivo.Quantas dentaduras já foram distribuídas, gratuitamente, pelo Calixtinho!

É claro que o livro, a ser lançado este mês, contando a história de vida de dona Lucília deve ter muito mais informações preciosas do que meia página de jornal pôde mostrar e do que uma simples carta de leitor pode relatar, mas a reportagem foi capaz de dar um aperitivo do que é a vida dessa mulher exemplar e, sobretudo, sonhadora. O mundo, certamente, seria mais igualitário se nele existissem mais e mais Lucílias.



Messias Colenghi Stival Jr. mora em Franca (SP). Disponível no link:

terça-feira, 27 de maio de 2008

Pau que nasce torto não tem jeito morre torto

Blog Janer Cristaldo, 6 de janeiro de 2008

É espantoso como, dezenove anos após a Queda do Muro, dezessete anos após o desmoronamento da União Soviética, ainda haja neste Brasil quem faça a louvação de comunistas. Um jornalista, Luiz Alberto Molinar, e uma historiadora, Luciana Maluf, devem lançar ainda este mês o hagiológio de uma velha comunista, que pretende morrer imersa no obscurantismo.

Trata-se de Lucília Rosa, que diz ter sido ensinada a ser comunista antes da revolução russa de 1917. O que é historicamente inviável. Não vivíamos em tempos de Internet naqueles dias, e a primeira célula comunista só surgiu em Santana do Livramento, em 1918, criada por anarquistas italianos que haviam aportado em Rio Grande. Os paulistanos se gabam - como se louvável fosse gabar-se da humana estupidez - de que o Partido Comunista tenha nascido em 1922, em São Paulo. Não é verdade. O obscurantismo tem origens gaúchas.

“Nasci em berço ateu. Sou comunista convicta e assim vou morrer”, disse Lucília em entrevista concedida hoje a O Estado de S. Paulo. A moça, em seus 95 anos, dá a entender que ser comunista é decorrência de ser ateu. Ora, ateus tínhamos desde os tempos bíblicos, e ser ateu, em princípio, nada tem a ver com ser comunista.

Os comunistas, aliás, acabaram revelando-se extremamente religiosos. Muitos escritores do século passado denunciaram o marxismo como uma religião laica. Ao azar, cito Nikos Kazantzakis. Para o místico cretense, havia na Rússia um exército fanático, implacável, onipotente, constituído de milhões de seres, que tinha em mãos milhões de crianças e as instruía como bem entendia. Esse exército, continua Kazantzakis, tinha seu Evangelho, O Capital.

Seu profeta, Lênin, e seus apóstolos fanatizados que pregavam a Boa Nova através do mundo. Esse exército possuía também seus mártires e heróis, seus dogmas, seus padres apologistas, escolásticos e pregadores, seus sínodos, hierarquia, liturgia e mesmo a excomunhão: "somos contemporâneos deste grande momento em que nasce uma nova religião".


Lucília Rosa, sedizente atéia, não parece ter percebido isto em seu climatério. Longa é a jornada de um imbecil até o entendimento. A casa onde Lucília mora – diz a reportagem – está quase caindo aos pedaços.

“É uma casa de comunista”, disse ela. “Não tem nada”. Não tem quase nada mesmo. Na sala da casa sem estuque, e com teias de aranha tomando conta de tudo, há apenas um sofá, uma mesa e uma cadeira, todos caindo aos pedaços. No seu quarto, uma TV com problemas na imagem, um ventilador que vai pifar a qualquer momento e uma cama de solteiro, com um colchão fino de espuma”.

Lucília Rosa não entendeu o espírito da coisa. Comunistas, hoje, vivem em magníficos apartamentos e gozam de régias pensões. Seja como for, o que espanta é que ainda escritores cultivem como heróis pessoas que passaram pela vida e da vida nada viram.


Blog Janer Cristaldo é escritor e jornalista. Mora em São Paulo.  http://cristaldo.blogspot.com/2008_01_01_archive.html

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Lucilia: 95 anos e comunista

Mineiríssima, blog da Vera Coutinho, 23/1/2008

Reportagem de João Domingos no Estadão,revela o perfil comunista de Lucília Rosa,que mora em Uberaba:Foi ensinada a ser comunista antes da revolução comunista russa de 1917, viu o fim da União Soviética, a queda do Muro de Berlim, a derrocada do sonho socialista, mas não desistiu.

Aos 95 anos, muito doente, mas lúcida ainda, faz sua última exigência política, a de ser enterrada num assentamento de sem-terra, em Campo Florido, próximo de Uberaba."Nasci em berço ateu. Sou comunista e assim vou morrer".

Na casa construída por seu avô há mais de cem anos, antiga Rua Caçu, atual Alexandre Barbosa, centro de Uberaba."É uma casa de comunista", disse ela. "Não tem nada." Não tem quase nada mesmo. Na sala da casa sem estuque, e comteias de aranha tomando conta de tudo, há apenas um sofá, uma mesa e uma cadeira, todos caindo aos pedaços.

domingo, 18 de maio de 2008

Entre o medo e a esperança


Jornal Revelação, Uberaba, 2002
Gilberto Lacerda Rodrigues



Dona Lucilia nasceu em Uberaba, numa casa próxima ao mercado central, na rua Sete de Abril, em 1912. Filha de alfaiate e neta de comandante. Ao lembrar-se que o avô era comandante começa a rir: "Naquele tempo, se é novo não vai lembrar, mas naquele tempo, o povo trabalhava das tripa coração de sol a sol só pra poder comprar uma comenda do governo. Tinha as mais baratas, que é a que o meu avô comprou, a de comandante, e tinha as mais caras, como a de coronel. Aqui em Uberaba essas famílias todas são descendente de coronel de araque." As comendas davam um certo status as famílias, uma nobreza paga.

Lucilia não fala muito do seu falecido marido. Prefere falar de Marx, do qual se confessa devota. A bíblia que carrega debaixo do braço, é a obra que inspirou a revolução bolchevique, o famoso "Capital" de Karl Marx. No final da década de 30 e início da década de 40,(...)Dona Lucília, temia que o ditador, exilasse o "verdadeiro" comunista brasileiro, Luis Carlos Prestes, do qual ela foi cozinheira. Até hoje Lucilia troca cartas com a filha de Prestes com Olga Benário, nascida num campo de concentração nazista. As injustiças que presenciou durante o governo Vargas, motivaram Lucilia a entrar na vida pública. Em 1947 elege-se vereadora. Com orgulho lembra que foi a primeira mulher a ser eleita em Minas Gerais.

Aos noventa anos a comunista Dona Lucila continua incansável. Seu corpo miúdo e franzino contrasta com os grandes e pesados sacos que leva nas costas. Dentro, copos descartáveis que cata em frente aos bares da cidade. Na sua labuta diária, recolhe também sacos plásticos e papeis. Uma vez por semana segue rumo a cidade de Campo Florido. Não vai visitar nenhum parente de sangue. Vai sim visitar os que ela chama de colegas idealistas.

As famílias do Movimento dos Sem Terra se alegram ao ver a doce senhora trazendo os preciosos presentes. Numa das sacolas os copos descartáveis que substituem os de ferro. Nesse período de seca não conseguem água para lavá-los, por isso os descartáveis são tão valorizados. Os papeis trazidos noutro saco servem como papel higiênico. Dona Lucilia se irrita quando tentam lhe agradecer. Não faz em troca de mimos ou agradecimentos, faz por um ideal que nutre há quase 80 anos. Se sensibiliza ao ver as dificuldades dos sem terra. Como comunista se vê na obrigação de auxiliar as classes mais oprimidas: "Cê precisa vê meu filho, a alegria deles quando me vê. Sabem que estou trazendo algo pra eles. Pro cê vê como são esses capitalistas, o povo lá passando dificuldade e ninguém ajuda. Eu que não tenho nada, arrumo um jeito de levar umas coisinhas pra amenizar a dor dessa gente. Capitalista é tudo egoísta filho.Tem jeito não."


O resultado das eleições agradou muito dona Lucilia. Geni não gostou muito. Lula ganhou com folga em todo o Brasil. Em Uberaba, terra conservadora no que diz respeito a política, a vantagem do candidato petista surpreende pois supera os grandes centros. Para cada voto de Serra, Lula teve três. Cerca de 75,2% dos eleitores uberabenses que foram as urnas escolheram o petista para governar o país. O candidato derrotado José Serra teve 24,8% dos votos válidos.A expectativa em torno de um governo de esquerda no Brasil é grande. Os mais conservadores, como dona Geni, temem um governo comunista ultra radical. Por outro lado há aqueles que acreditam num pais mais igualitário e justo como dona Lucilia.

Dona Lucilia acredita que tudo vai melhorar com a entrada de Lula na presidência. Ela acredita que finalmente o seu sonho de um Brasil comunista vai se realizar.

Questionada sobre o novo Lula "paz e amor", ela desconversa: "Pra chegar no poder tem que ter jogo de cintura, filho. Aqui o povo é muito quieto pra acontecer uma revolução como aquela da Rússia. Tem que ter jeitinho. E o Lula tem. Ele vai acabar com a mamata daqueles senadores e deputados que ganham rios de dinheiro enquanto o aposentado ganha salário mínimo. Tem que deixar os salários deles igual a minha aposentadoria. O capitalismo tá morrendo. O enterro vai ser muito difícil. E o nascimento do socialismo é um parto, um parto demorado, sacrificado, judiado, mas ele vai nascer. Em termos de parto, nós mulheres que parimos é que sabemos, uns partos são mais rápidos outros menos, mas pra parir uma coisa nova, bonita, bem feita e bem acabada não é fácil não".

Gilberto Lacerda Rodrigues era estudante de jornalismo. http://www.revelacaoonline.uniube.br/a2002/geral/medo.html

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Há 71 anos...


7/5/1937: Julgamento principal dos rebeldes de 1935. Prestes é condenado a 16 anos de prisão. Em vão o advogado Sobral Pinto invoca até a Lei de Proteção dos Animais para protestar contra os maus-tratos dos réus.
Foto: Luís Carlos Prestes preso, com jornalista chileno José Joaquim Silva (à sua direita) e o capitão Orlando Leite Ribeiro, Casa de Correção en Rio de Janeiro, 1941.